Radioterapia para câncer de pele: quando o tratamento pode ser uma alternativa curativa

Diagnóstico precoce continua sendo a principal arma contra a doença, mas a radioterapia pode ser uma importante opção de tratamento em casos selecionados
O câncer de pele é o tipo de câncer mais frequente no Brasil e, embora apresente altas taxas de cura quando identificado precocemente, alguns casos exigem tratamentos mais específicos para garantir os melhores resultados. Entre as opções disponíveis, a radioterapia pode desempenhar papel fundamental e, em determinadas situações, atuar como tratamento
curativo.
Segundo o radio-oncologista e coordenador do Serviço de Radioterapia da Rede Mater Dei de Saúde, Dr. Gabriel Gil, a maioria dos tumores de pele apresenta crescimento lento, o que muitas vezes faz com que a doença passe despercebida por meses ou até anos. “O câncer de pele costuma apresentar excelente prognóstico quando diagnosticado precocemente. O desafio é que algumas lesões surgem em áreas pouco visíveis ou acabam sendo negligenciadas pelo paciente, permitindo sua evolução”, explica o especialista.
O que é o câncer de pele?
O câncer de pele ocorre quando células da pele passam a crescer de forma desordenada.
Os tipos mais frequentes são:
- Carcinoma Basocelular (CBC);
- Carcinoma Espinocelular (CEC).
- Conhecidos como cânceres de pele não melanoma, esses tumores geralmente apresentam comportamento menos agressivo e elevadas taxas de cura quando tratados adequadamente.
Já o melanoma, embora menos frequente, costuma ser mais agressivo e exige diagnóstico e tratamento rápidos.
- Quais sinais merecem atenção?
- A recomendação é procurar avaliação médica ao perceber alterações como:
- Feridas que não cicatrizam;
- Manchas que crescem progressivamente;
- Lesões que sangram com facilidade;
- Mudanças de cor, formato ou textura da pele;
- Caroços ou áreas endurecidas.
O diagnóstico precoce continua sendo o fator mais importante para aumentar as chances de cura e reduzir a necessidade de tratamentos mais complexos.
Quando a radioterapia é indicada?
Embora a cirurgia seja considerada o tratamento padrão para grande parte dos tumores de pele, a radioterapia pode ser indicada em diferentes situações. De acordo com o Dr. Gabriel Gil, a radioterapia não deve ser vista como uma alternativa secundária. “Em pacientes selecionados, a radioterapia pode ter intenção curativa e oferecer excelentes resultados, especialmente quando a cirurgia pode gerar impactos funcionais ou estéticos importantes.”
- A indicação costuma ser mais frequente em casos como:
- Tumores localizados em áreas delicadas da face;
- Lesões em nariz, pálpebras, lábios ou orelhas;
- Pacientes idosos ou com limitações clínicas para cirurgia;
- Tumores com risco elevado de recorrência;
- Complementação do tratamento após procedimentos cirúrgicos.
Como funciona a radioterapia para câncer de pele?
A radioterapia utiliza radiações direcionadas para destruir as células tumorais, preservando ao máximo os tecidos saudáveis ao redor da lesão. No tratamento dos tumores de pele, o planejamento é realizado de forma individualizada, considerando fatores como:
- Tamanho da lesão;
- Profundidade do tumor;
- Localização anatômica;
- Condições clínicas do paciente.
A maior parte dos tratamentos é realizada de forma ambulatorial, sem necessidade de internação. “O paciente não fica radioativo após as sessões e normalmente apresenta boa tolerância ao tratamento. O número de aplicações varia conforme as características da doença”, explica o médico.
Benefícios da radioterapia
Entre as principais vantagens da radioterapia para câncer de pele estão:
Tratamento não invasivo;
Preservação estética em áreas delicadas;
Alta taxa de controle tumoral;
Boa tolerabilidade;
Possibilidade de tratamento curativo em casos selecionados;
Alternativa para pacientes que não podem ser submetidos à cirurgia.
A importância de uma abordagem multidisciplinar
O tratamento oncológico moderno envolve a atuação integrada de diferentes especialistas. Na Rede Mater Dei de Saúde, cada caso é avaliado de forma individualizada por uma equipe multidisciplinar composta por radio-oncologistas, cirurgiões, dermatologistas, patologistas e demais profissionais envolvidos no cuidado do paciente. Essa integração permite definir a estratégia terapêutica mais adequada para cada situação.
Diagnóstico precoce continua sendo o melhor caminho
Apesar dos avanços tecnológicos e terapêuticos, a prevenção e o diagnóstico precoce continuam sendo os principais aliados contra o câncer de pele. “A maioria dos casos apresenta excelentes chances de cura quandoidentificada no início. Quando necessário, a radioterapia é uma ferramenta precisa, segura e muitas vezes capaz de preservar a funcionalidade e a estética da região tratada”, reforça o Dr. Gabriel Gil. Por isso, qualquer alteração suspeita na pele deve ser avaliada por um especialista.
Agende uma avaliação se perceber:
Feridas persistentes;
Lesões que crescem ou mudam de aparência;
Sangramentos frequentes na pele;
Alterações em pintas ou manchas.
Quando procurar um médico?
Quanto mais cedo o diagnóstico for realizado, maiores serão as chances de sucesso no tratamento.
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